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Toda produção artístico-cultural popular tem grande audiência. Por isso é popular.
Se a população tem pouca instrução (educação básica) e cultura (acesso a outros repertórios, algo que só a família e a escola podem fazer), os meios de produção têm que circunscrever seus produtos a esta audiência.
Todos percebem uma modificação do próprio "padrão global" na última década, quando da ascensão das "novas classes médias", C, D, E, F, G, H. O apelo aos baixos instintos também pulula na França, nos EUA, na Dinamarca. O baixo nível da TV aberta é um fato universal. O BBB é multinacional.
Por que se demoniza a Globo? Muda de canal!
Há, porém, um ponto a ressaltar: a falta de concorrência proporcionada por uma legislação podre de velha (nosso marco regulatório da comunicação é de 1962), que permite concentrar 50% das verbas publicitárias em apenas UM conglomerado da indústria cultural (vale a pena recorrer a Adorno, que não é enfeite) - fato ÚNICO no mundo, nos países muito desenvolvidos e nos menos também.
E é este o cerne da crítica ao status quo da nossa mídia, proporcionado não por outros que não nossas "excelências", os políticos profissionais, que, aliás, pela Constituição Federal, não poderiam ter rádios e TVs, mas as possuem por meio de "laranjas", usando-as indiscriminadamente, não obedecendo o que a CF de 1988 também prescreve em seus Artigos específicos para Comunicação e para Cultura.
Quanto a "mudar de canal" - o óbvio conselho do Merval Pereira, seria preciso que as milhões de crianças que ficam "presas" em seus barracos a tarde inteira, tivessem ali a presença de pais ou responsáveis para fazê-lo. Mas os mesmos estão pendurados nos transportes urbanos correndo atrás do pão de cada dia, fugindo dos tiroteios que seus filhos assistem "ao vivo" até que eles cheguem para assistir, juntos, a "mais um campeão de audiência".
E como diria o William Homer Simpson Bonner: boa noite!
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terça-feira, 13 de agosto de 2013
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
NÃO PASSARÃO!
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E as "Organizações" já colocaram seus "campeões de audiência" para desqualificar "o" fato comunicacional da semana: a entrevista de dois "medianinja" no Roda Viva da última segunda-feira.
Ora, a grande razão para a mídia tradicional (estenda-se este tópico a toda a indústria cultural) estar falindo, ano após ano, a ponto de Jeff Bezos - um mago da web - comprar o Washington Post por 250 milhões de dólares ("na bacia das almas"), é a estrutura nababesca em que a mesma se transformou, começando e terminando por salários estelares e mordomias sem fim para o "cast". Inclua-se, claro, os queridinhos e queridinhas do mais novo segmento da indústria do entretenimento: o jornalismo (segundo a ESPM, que, como se sabe, é - agora - "jornalista" desde criancinha).
Três dos maiores nababos da nave-mãe puseram a rodar o mesmo filme, "Detona Ninja", em seus espaços.
(1) Começo as citações por KOGUT, P.: "O Roda-Viva com Bruno Torturra e Pablo Capilé, da Mídia Ninja, teve média de 1,4% de audiência... Esse número, entretanto, não é alto: para o leitor ter uma ideia, um ponto de audiência de TV no Ibope equivale a 62 mil domicílios em São Paulo". Muito didático, grato. Então, tá. Ninguém viu. Por isso o "link" aí, a seguir.
(2) Na trincheira, também está XEXÉO, A.: "Desafio qualquer espectador do 'Roda Viva'... a jurar que entendeu o discurso da dupla (NINJA)... Se este é o melhor exemplo de 'nova mídia', nosso futuro é tenebroso". Sutil, esse grande tradutor de Janete Clair, que, claro, quer juras de amor.
(3) Encerra esta "primeira bateria", a soldado RÓNAI, C.: "Não vejo o mundo dividido entre 'mídia clássica' de um lado e 'mídia ninja' de outro... fico com a sensação amarga de que algo está fora do meu campo de compreensão quando vejo os ninjas filmando os jornalistas da mídia tradicional sendo agredidos e enxotados das manifestações sem fazer um só gesto em sua defesa". Deve ser mesmo difícil entender que a "mídia ninja" quer ser parte do povo - que está farto do pastiche (recheio do quarteirão-com-queijo de novelas) "boa noite" da dupla BONNER-POETA - e não da 'intelligentsia' a qual Adorno - que não é enfeite - descreveu como a classe "dos gerentes muito bem pagos da indústria (massiva) de imaginário".
O MINISTÉRIO DA EDUCOMUNICAÇÃO ADVERTE - GANHAR UM BOM SALÁRIO POR ANOS NA MÍDIA TRADICIONAL FAZ MAL À SAÚDE MENTAL DOS EMPREGADOS. ELES FICAM IGUAIS AOS PATRÕES. Veja:
RODA-VIVA DE 05/08/2013
E as "Organizações" já colocaram seus "campeões de audiência" para desqualificar "o" fato comunicacional da semana: a entrevista de dois "medianinja" no Roda Viva da última segunda-feira.
Ora, a grande razão para a mídia tradicional (estenda-se este tópico a toda a indústria cultural) estar falindo, ano após ano, a ponto de Jeff Bezos - um mago da web - comprar o Washington Post por 250 milhões de dólares ("na bacia das almas"), é a estrutura nababesca em que a mesma se transformou, começando e terminando por salários estelares e mordomias sem fim para o "cast". Inclua-se, claro, os queridinhos e queridinhas do mais novo segmento da indústria do entretenimento: o jornalismo (segundo a ESPM, que, como se sabe, é - agora - "jornalista" desde criancinha).
Três dos maiores nababos da nave-mãe puseram a rodar o mesmo filme, "Detona Ninja", em seus espaços.
(1) Começo as citações por KOGUT, P.: "O Roda-Viva com Bruno Torturra e Pablo Capilé, da Mídia Ninja, teve média de 1,4% de audiência... Esse número, entretanto, não é alto: para o leitor ter uma ideia, um ponto de audiência de TV no Ibope equivale a 62 mil domicílios em São Paulo". Muito didático, grato. Então, tá. Ninguém viu. Por isso o "link" aí, a seguir.
(2) Na trincheira, também está XEXÉO, A.: "Desafio qualquer espectador do 'Roda Viva'... a jurar que entendeu o discurso da dupla (NINJA)... Se este é o melhor exemplo de 'nova mídia', nosso futuro é tenebroso". Sutil, esse grande tradutor de Janete Clair, que, claro, quer juras de amor.
(3) Encerra esta "primeira bateria", a soldado RÓNAI, C.: "Não vejo o mundo dividido entre 'mídia clássica' de um lado e 'mídia ninja' de outro... fico com a sensação amarga de que algo está fora do meu campo de compreensão quando vejo os ninjas filmando os jornalistas da mídia tradicional sendo agredidos e enxotados das manifestações sem fazer um só gesto em sua defesa". Deve ser mesmo difícil entender que a "mídia ninja" quer ser parte do povo - que está farto do pastiche (recheio do quarteirão-com-queijo de novelas) "boa noite" da dupla BONNER-POETA - e não da 'intelligentsia' a qual Adorno - que não é enfeite - descreveu como a classe "dos gerentes muito bem pagos da indústria (massiva) de imaginário".
O MINISTÉRIO DA EDUCOMUNICAÇÃO ADVERTE - GANHAR UM BOM SALÁRIO POR ANOS NA MÍDIA TRADICIONAL FAZ MAL À SAÚDE MENTAL DOS EMPREGADOS. ELES FICAM IGUAIS AOS PATRÕES. Veja:
RODA-VIVA DE 05/08/2013
terça-feira, 30 de julho de 2013
QUAL NOTÍCIA VOCÊ QUER OUVIR PRIMEIRO?
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Depois da má notícia de ontem ["Publicis (francês) e Omnicom (estadunidense) confirmam fusão de US$ 35 bilhões"], a boa notícia de hoje: "Megafusão publicitária pode esbarrar em leis anti-truste" (O Globo, página 30).
Tim Wu profetiza...
Felizmente algumas vozes se levantaram contra este terrível - e quase terminal - ato da insânia capitalista. Se hoje temos apenas três grandes players (o terceiro é o grupo britânico WPP) na comunicação comercial (leia-se propaganda + relações públicas + patrocínios + promoções de marketing + marketing digital), isto de deve à onda de fusões e aquisições que varre o mundo desde o final dos anos 1970.
Big Crunch.
Impressiona, até, que ainda não haja, depois do tsunami concentracionista, monopólios por toda a cadeia produtiva da comunicação. É um verdadeiro milagre - devido à graça da legislação anti-truste - que ainda tenhamos três grandes redes de TV comercial nos Estados Unidos (excluo desse rol a CNN e a Fox News, por uma razão óbvia - o seu modelo all news.
Os clientes que se... cuidem!
No Brasil, como sempre, o buraco é mais embaixo. Ou seja, estamos cada vez mais no fundo do poço. Os tempos dourados que Regina Augusto tão bem retrata quando conta, em livro, a trajetória da antes poderosa MPM, definitivamente acabaram. As agências brasileiras todas já sucumbiram ao dólar e ao euro. E estão, sempre, debaixo de um dos três guarda-chuvas gigantes...
O resto é boutique de criação...
Acompanhe essa discussão no Observatório da Comunicação Institucional.
Siga o tema por este link.
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Depois da má notícia de ontem ["Publicis (francês) e Omnicom (estadunidense) confirmam fusão de US$ 35 bilhões"], a boa notícia de hoje: "Megafusão publicitária pode esbarrar em leis anti-truste" (O Globo, página 30).
Tim Wu profetiza...
Felizmente algumas vozes se levantaram contra este terrível - e quase terminal - ato da insânia capitalista. Se hoje temos apenas três grandes players (o terceiro é o grupo britânico WPP) na comunicação comercial (leia-se propaganda + relações públicas + patrocínios + promoções de marketing + marketing digital), isto de deve à onda de fusões e aquisições que varre o mundo desde o final dos anos 1970.
Big Crunch.
Impressiona, até, que ainda não haja, depois do tsunami concentracionista, monopólios por toda a cadeia produtiva da comunicação. É um verdadeiro milagre - devido à graça da legislação anti-truste - que ainda tenhamos três grandes redes de TV comercial nos Estados Unidos (excluo desse rol a CNN e a Fox News, por uma razão óbvia - o seu modelo all news.
Os clientes que se... cuidem!
No Brasil, como sempre, o buraco é mais embaixo. Ou seja, estamos cada vez mais no fundo do poço. Os tempos dourados que Regina Augusto tão bem retrata quando conta, em livro, a trajetória da antes poderosa MPM, definitivamente acabaram. As agências brasileiras todas já sucumbiram ao dólar e ao euro. E estão, sempre, debaixo de um dos três guarda-chuvas gigantes...
O resto é boutique de criação...
Acompanhe essa discussão no Observatório da Comunicação Institucional.
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segunda-feira, 27 de maio de 2013
O GLOBO - PROJETOS DE... MUITA GRANA.
E o domingo nos brinda com mais uma edição de O Globo, na
soleira da porta. Coisa antiga...
Além de toda a propaganda dominical – o percentual de “conteúdo jornalístico” é mínimo – a edição de ontem traz um caderno (inteiro!) intitulado “Rio em Transformação”.
Que bonito é...
Será um pássaro, um avião, uma reportagem, um editorial? Não.
É só o departamento comercial do veículo fazendo jornalismo de faz-de-conta em
sua inefável “retranca” PROJETOS DE MARKETING (assim mesmo, em caixa alta)!
Há muito tempo O Globo publica esses cadernos – uma evolução
(em termos de receita para o veículo, mas involução na prestação de serviços e na
ética para com os leitores) do batido modelo “Informe Publicitário”.
Por que batido?
Porque este é o nome quase cinquentenário do tipo de técnica
que os jornais utilizam para publicar algo do interesse de outrem (uma empresa) em suas páginas, não declaradamente um
“anúncio” – algo travestido em “matéria”, mas inteiramente escrito e produzido
pelo anunciante. O destaque (um fio gráfico em volta, a tipologia diferente ou
o texto-título “Informe Publicitário”) é obrigatório.
E O Globo – quem mais? – inovou! E, de tempos em tempos, nos
entulha com este calhamaço de papel entintado.
E presta, mais uma vez,
um desserviço chamando o “Informe Publicitário” de “Projeto de Marketing”.
Isto não é marketing. Qual é o “produto”? Qual é a
praça? Qual é o preço? Qual é a promoção? Projeto de quê? Marketing de quê? Da
cidade? Do veículo? Sim, do veículo, porque é a única coisa que pode estar à
venda nessa transação mercadológica. Autopromoção muito bem cobrada.
E qual é o “babado”
desta vez?
Surpresa! É o alcaide do Rio de Janeiro, genuíno herdeiro de
Cesares, fazendo propaganda mais-do-que-antecipada de seus feitos. Com fotos
caprichadas, textos orgulhosos, títulos exclamativos, slogans convincentes! Se o “leitor” é analfabeto, não tem
importância. A enxurrada de imagens deixa o mais descrente infeliz convencido
de que mora no paraíso terrestre...
“Meu” Rio...
Já na capa, uma foto de mais um “empreendimento” carioca adotado
pelas Organizações Globo, o MAR (Museu de Arte do Rio). Sim, aquele mesmo do
capítulo final da novela... na “matéria” intitulada “Além dos tapumes”. Na
quarta capa, o título garrafal é “A hora e a vez da zona norte”!
E vão-se sucedendo “manchetes” bombásticas. Parece até a
“escalada” do Jornal Nacional: “Uma cidade interligada”, “Transporte público de
alto desempenho para todos”, “A joia do subúrbio”, “Cariocas reencontram sua
história”, “Nova rotina para pais e alunos”, “Legado olímpico e social”,
“Centro de operações pronto para o desafio”, “Cresce a cobertura básica de
saúde”. Ufa! É muita “notícia” boa. Será que o “leitor”
não desconfia?
Quanto terá custado o
caderno de oito páginas?
Nunca menos de 1,5 milhão de reais. Mixaria para a
prefeitura! Não daria para fazer meio-posto de saúde, ou meia-calçada, ou meia-creche.
Que se gaste em mídia, então. E nem precisa licitar – o Rio só tem um jornal de
“grande” circulação...
E as “Organizações”
agradecem.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Aura da Alemanha no Brasil, 70 anos depois.
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O que os constituintes promulgaram em 1988 sobre Comunicação e sobre Cultura é letra morta. É preciso, em todas as instâncias em que podemos nos pronunciar - salas de aulas, ONGs, a web - fazer a denúncia deste desastre nacional - o emburrecimento programado das pessoas, individualmente, e das comunidades. Não há paralelo em todo o planeta. O que de monstruoso Adorno, Benjamin e Horkheimer temiam, analisando o que o rádio e o cinema fizeram na Alemanha sob o Terceiro Reich, está aqui, agora, no Brasil, sob as Organizações Globo. No Rio de Janeiro, então, não há a mais pálida fresta para outros ares. A rua, a chuva e a fazenda respiram os gases nobres - e pobres - produzidos em série com requinte pós-industrial. Vale a pena ler um "extrato" daqueles três autores, mais Eco de duas décadas mais tarde, para entender a atualidade do aviso de Frankfurt, expedido em 1944: http://www.marketing-e-cultura.com.br/website/teoria/teo001-b.php?cod_artigo=26.
De hoje, postado no Facebook por Nelson Moreira, que compartilho:
A TV e sua opinião, por Silvio Caccia Bava
Em 2011, 59,4 milhões dos domicílios brasileiros tinham televisão, o que equivale a 96,9% do total. De longe, a televisão é o meio de comunicação mais difundido e utilizado.
Em fevereiro passado, segundo o Ibope, as maiores audiências da TV foram as novelas, os reality shows (BBB Brasil e Fazenda de Verão), o Jornal Nacional, a segunda edição do noticiário e os programas de auditório. O futebol das quartas-feiras fica apenas em nono lugar.
A liderança de audiência da Globo é impressionante: são dela os 47 programas mais vistos da TV em 2012. E, se considerarmos o horário nobre, suas três principais novelas estão entre as dez atrações de maior audiência, tendo à frente Avenida Brasil, superando inclusive o BBB Brasil, o reality show mais popular. Ainda segundo o Ibope, o Jornal Nacional é o vice-líder absoluto da emissora. Essa situação configura, virtualmente, um monopólio privado da informação.
A televisão é o meio de comunicação pelo qual se informa o maior número de pessoas. E muitos só se informam pela televisão. Não leem jornais, revistas. Sua opinião, portanto, é formada com base nessas informações. Sempre por trás de uma mensagem há alguém que a envia, e devemos nos perguntar por que esse alguém nos envia essa mensagem e por que neste momento. A sincronia, por exemplo, entre a ampla divulgação do julgamento do mensalão com as últimas eleições é uma dessas questões.
A televisão brasileira, embora seja uma concessão pública, está nas mãos de poucos grupos que defendem interesses privados − seus interesses são os interesses do mercado, são os interesses das elites, alinhados desde os anos 1990, pelo menos, com a doutrina neoliberal. Promovem os valores do individualismo, da competição, do sucesso individual. Se você não consegue esse sucesso, a culpa é sua, não tem nada a ver com a estrutura da sociedade e com o fato de que a economia só favorece os grandes.
A televisão reduz os cidadãos à dimensão de meros consumidores. Não há análises de contexto, os fatos não se inscrevem em lógicas mais amplas. Quando há programas de debates, estes são em altas horas, não são para as massas. E mesmo assim os debatedores, em sua ampla maioria, se alinham com os interesses das emissoras. Seus noticiários destacam o crime e a violência, disseminando o medo na população e fazendo que esta aceite um mundo de arbitrariedades no qual, por exemplo, a polícia executa sumariamente “suspeitos”, consagrando a pena de morte na prática, sem qualquer julgamento, o que identifica o Estado não só como cúmplice dos crimes, quando não como os próprios agentes da violação de direitos, mas também como legitimador desse discurso televisivo. Se esses comportamentos se apresentam como a única solução, se temos visões parciais, distorcidas, dos fatos, provavelmente teremos opiniões equivocadas sobre eles.
Ao dar destaque à violência urbana e à criminalidade, a TV induz o público a demandar mais segurança, mesmo à custa de políticas que se formulam em prejuízo da liberdade e do respeito aos cidadãos, como a ocupação militar de territórios da cidade.
Os meios de comunicação vivem uma relação promíscua com o poder político e o poder econômico. Basta ver quem detém as concessões, por exemplo, das estações retransmissoras das principais redes televisivas, distribuídas, em grande parte, para as oligarquias e lideranças políticas regionais. Seu objetivo não é mais servir à sociedade, mas se servir dela para alavancar interesses privados, para alavancar os negócios, para reproduzir as elites no poder.
Há uma combinação de espetáculos – as novelas, os reality shows, os programas de auditório, o futebol – que desvia a atenção do público dos problemas importantes, tornando-o distante dos problemas sociais, com uma seleção e uma interpretação do que são as notícias que merecem sua atenção.
A cultura imposta pela televisão tem tal influência que nos encontramos, muitas vezes, pensando na mesma linha. E não há como responsabilizar somente a TV por essa situação − a doutrina neoliberal, na verdade, se impregnou por toda parte. Nós a vemos nas próprias políticas de Estado. Seus valores se contrapõem à democracia, ao respeito à diferença, ao reconhecimento de uma sociedade plural. Eles promovem o sectarismo e uma polarização entre o bem e o mal, em que tudo que não se ajusta à sua doutrina é considerado condenável e é criminalizado.
Em vários países da América Latina esse império das comunicações está sendo questionado por governos democráticos, como na Argentina, no Equador e na Venezuela, e essa mesma mídia conservadora os desqualifica, os criminaliza, buscando garantir a continuidade de uma interpretação da história e dos acontecimentos cotidianos que só serve aos seus interesses.
A TV é um bem público, assim como a informação. Ela deve servir aos interesses da sociedade, não aos interesses do mercado; ela não pode estar a serviço de uma doutrina que, para maximizar o lucro, viola sistematicamente os direitos dos cidadãos. E para sustentar a defesa do interesse público, da democracia, é preciso que cada um de nós se interrogue se a programação que temos hoje na TV brasileira é a que melhor atende aos nossos interesses.
Silvio Caccia Bava é diretor e editor-chefe do Le Monde Diplomatique.
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O que os constituintes promulgaram em 1988 sobre Comunicação e sobre Cultura é letra morta. É preciso, em todas as instâncias em que podemos nos pronunciar - salas de aulas, ONGs, a web - fazer a denúncia deste desastre nacional - o emburrecimento programado das pessoas, individualmente, e das comunidades. Não há paralelo em todo o planeta. O que de monstruoso Adorno, Benjamin e Horkheimer temiam, analisando o que o rádio e o cinema fizeram na Alemanha sob o Terceiro Reich, está aqui, agora, no Brasil, sob as Organizações Globo. No Rio de Janeiro, então, não há a mais pálida fresta para outros ares. A rua, a chuva e a fazenda respiram os gases nobres - e pobres - produzidos em série com requinte pós-industrial. Vale a pena ler um "extrato" daqueles três autores, mais Eco de duas décadas mais tarde, para entender a atualidade do aviso de Frankfurt, expedido em 1944: http://www.marketing-e-cultura.com.br/website/teoria/teo001-b.php?cod_artigo=26.
De hoje, postado no Facebook por Nelson Moreira, que compartilho:
A TV e sua opinião, por Silvio Caccia Bava
Em 2011, 59,4 milhões dos domicílios brasileiros tinham televisão, o que equivale a 96,9% do total. De longe, a televisão é o meio de comunicação mais difundido e utilizado.
Em fevereiro passado, segundo o Ibope, as maiores audiências da TV foram as novelas, os reality shows (BBB Brasil e Fazenda de Verão), o Jornal Nacional, a segunda edição do noticiário e os programas de auditório. O futebol das quartas-feiras fica apenas em nono lugar.
A liderança de audiência da Globo é impressionante: são dela os 47 programas mais vistos da TV em 2012. E, se considerarmos o horário nobre, suas três principais novelas estão entre as dez atrações de maior audiência, tendo à frente Avenida Brasil, superando inclusive o BBB Brasil, o reality show mais popular. Ainda segundo o Ibope, o Jornal Nacional é o vice-líder absoluto da emissora. Essa situação configura, virtualmente, um monopólio privado da informação.
A televisão é o meio de comunicação pelo qual se informa o maior número de pessoas. E muitos só se informam pela televisão. Não leem jornais, revistas. Sua opinião, portanto, é formada com base nessas informações. Sempre por trás de uma mensagem há alguém que a envia, e devemos nos perguntar por que esse alguém nos envia essa mensagem e por que neste momento. A sincronia, por exemplo, entre a ampla divulgação do julgamento do mensalão com as últimas eleições é uma dessas questões.
A televisão brasileira, embora seja uma concessão pública, está nas mãos de poucos grupos que defendem interesses privados − seus interesses são os interesses do mercado, são os interesses das elites, alinhados desde os anos 1990, pelo menos, com a doutrina neoliberal. Promovem os valores do individualismo, da competição, do sucesso individual. Se você não consegue esse sucesso, a culpa é sua, não tem nada a ver com a estrutura da sociedade e com o fato de que a economia só favorece os grandes.
A televisão reduz os cidadãos à dimensão de meros consumidores. Não há análises de contexto, os fatos não se inscrevem em lógicas mais amplas. Quando há programas de debates, estes são em altas horas, não são para as massas. E mesmo assim os debatedores, em sua ampla maioria, se alinham com os interesses das emissoras. Seus noticiários destacam o crime e a violência, disseminando o medo na população e fazendo que esta aceite um mundo de arbitrariedades no qual, por exemplo, a polícia executa sumariamente “suspeitos”, consagrando a pena de morte na prática, sem qualquer julgamento, o que identifica o Estado não só como cúmplice dos crimes, quando não como os próprios agentes da violação de direitos, mas também como legitimador desse discurso televisivo. Se esses comportamentos se apresentam como a única solução, se temos visões parciais, distorcidas, dos fatos, provavelmente teremos opiniões equivocadas sobre eles.
Ao dar destaque à violência urbana e à criminalidade, a TV induz o público a demandar mais segurança, mesmo à custa de políticas que se formulam em prejuízo da liberdade e do respeito aos cidadãos, como a ocupação militar de territórios da cidade.
Os meios de comunicação vivem uma relação promíscua com o poder político e o poder econômico. Basta ver quem detém as concessões, por exemplo, das estações retransmissoras das principais redes televisivas, distribuídas, em grande parte, para as oligarquias e lideranças políticas regionais. Seu objetivo não é mais servir à sociedade, mas se servir dela para alavancar interesses privados, para alavancar os negócios, para reproduzir as elites no poder.
Há uma combinação de espetáculos – as novelas, os reality shows, os programas de auditório, o futebol – que desvia a atenção do público dos problemas importantes, tornando-o distante dos problemas sociais, com uma seleção e uma interpretação do que são as notícias que merecem sua atenção.
A cultura imposta pela televisão tem tal influência que nos encontramos, muitas vezes, pensando na mesma linha. E não há como responsabilizar somente a TV por essa situação − a doutrina neoliberal, na verdade, se impregnou por toda parte. Nós a vemos nas próprias políticas de Estado. Seus valores se contrapõem à democracia, ao respeito à diferença, ao reconhecimento de uma sociedade plural. Eles promovem o sectarismo e uma polarização entre o bem e o mal, em que tudo que não se ajusta à sua doutrina é considerado condenável e é criminalizado.
Em vários países da América Latina esse império das comunicações está sendo questionado por governos democráticos, como na Argentina, no Equador e na Venezuela, e essa mesma mídia conservadora os desqualifica, os criminaliza, buscando garantir a continuidade de uma interpretação da história e dos acontecimentos cotidianos que só serve aos seus interesses.
A TV é um bem público, assim como a informação. Ela deve servir aos interesses da sociedade, não aos interesses do mercado; ela não pode estar a serviço de uma doutrina que, para maximizar o lucro, viola sistematicamente os direitos dos cidadãos. E para sustentar a defesa do interesse público, da democracia, é preciso que cada um de nós se interrogue se a programação que temos hoje na TV brasileira é a que melhor atende aos nossos interesses.
Silvio Caccia Bava é diretor e editor-chefe do Le Monde Diplomatique.
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sábado, 11 de maio de 2013
UM NOVO PONTO "G".
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ALERTA AOS QUE QUEREM UMA IMPRENSA MAIS JORNALÍSTICA E MENOS JORNALISMO DE ASSESSORIA!
Aprovado o projeto de Resolução que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Jornalismo, bacharelado, (veja 'post' e 'link' abaixo), faltando, apenas, a sanção ministerial.
A Comissão que tratou do mesmo tema para Relações Públicas, junto ao MEC, deveria posicionar-se CONTRÁRIA à seguinte redação do Artigo 4o., Item "G" : INCLUIR, NA FORMAÇÃO PROFISSIONAL, AS ROTINAS DE TRABALHO DO 'JORNALISTA EM ASSESSORIA' A INSTITUIÇÕES DE TODOS OS TIPOS.
Uma das mazelas - senão a pior - do jornalismo brasileiro (e das relações públicas brasileiras, por consequência) é o imoral exercício das duas profissões pelo mesmo indivíduo, ao mesmo tempo.
O conflito de interesses dispensa mais comentários, pois é conhecido de todos. O mais tosco dos cidadãos compreende que um jornalista a serviço de uma empresa, promove-a nas páginas, no ar, e no ciberespaço da imprensa, desservindo a isenção, a democracia, aos cidadãos, à própria imprensa como instituição e à cidadania corporativa, sempre colocada sob suspeição a partir do exercício de tráfico de influência.
Não existe - há muito tempo (como prova a modificação da denominação da Aberje) - "jornalismo empresarial".
JORNALISTA É QUEM TRABALHA EM VEÍCULO DE COMUNICAÇÃO.
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ALERTA AOS QUE QUEREM UMA IMPRENSA MAIS JORNALÍSTICA E MENOS JORNALISMO DE ASSESSORIA!
Aprovado o projeto de Resolução que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Jornalismo, bacharelado, (veja 'post' e 'link' abaixo), faltando, apenas, a sanção ministerial.
A Comissão que tratou do mesmo tema para Relações Públicas, junto ao MEC, deveria posicionar-se CONTRÁRIA à seguinte redação do Artigo 4o., Item "G" : INCLUIR, NA FORMAÇÃO PROFISSIONAL, AS ROTINAS DE TRABALHO DO 'JORNALISTA EM ASSESSORIA' A INSTITUIÇÕES DE TODOS OS TIPOS.
Uma das mazelas - senão a pior - do jornalismo brasileiro (e das relações públicas brasileiras, por consequência) é o imoral exercício das duas profissões pelo mesmo indivíduo, ao mesmo tempo.
O conflito de interesses dispensa mais comentários, pois é conhecido de todos. O mais tosco dos cidadãos compreende que um jornalista a serviço de uma empresa, promove-a nas páginas, no ar, e no ciberespaço da imprensa, desservindo a isenção, a democracia, aos cidadãos, à própria imprensa como instituição e à cidadania corporativa, sempre colocada sob suspeição a partir do exercício de tráfico de influência.
Não existe - há muito tempo (como prova a modificação da denominação da Aberje) - "jornalismo empresarial".
JORNALISTA É QUEM TRABALHA EM VEÍCULO DE COMUNICAÇÃO.
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segunda-feira, 6 de maio de 2013
E eles fizeram de novo!
Mais uma vez O Globo presta um desserviço aos seus leitores e à inteligência nacional!
A matéria de hoje, à página 23 - seção Mundo - estampa uma foto do inimigo público número 1 dos Estados Unidos - Kim Jong-un - em um auditório repleto dos puxa-sacos de sempre.
A manchete:
MARKETING NA CORÉIA DO NORTE (assim mesmo, em caixa alta): A verdade segundo Kim Jong-un. O subtítulo: Ditador manda boletins eletrônicos para melhorar a imagem de seu país no exterior. E-mails são enviados à imprensa internacional sempre que o líder diz "algo relevante".
A matéria vai em frente criticando o uso e o abuso das imagens e dos textos pré-fabricados.
Mas o quê dizer do discurso em causa própria (textos - e imagens - pré-fabricados) que as próprias Organizações Globo fazem em seus "n" veículos, pelo país todo? E sem pagar pelos "espaços", em centímetros/coluna ou minutos "no ar" -, numa contabilidade "inter-companhias" - o que é, no mínimo, concorrência desleal em seus nichos de mercado.
O Rio de Janeiro chega a ser uma espécie de Pyongyang em termos de comunicação e pensamento únicos. É museu patrocinado, é museu em construção, é apoio a museu. Roberto Marinho: patrono da museologia brasileira. Múmias das múmias!
Muito marketing - sim, mas com incentivos fiscais, isenção de impostos, importação de equipamentos mal explicada e monopólio da audiência e das verbas de propaganda.
Usamos, acima, o termo marketing tão erroneamente quanto O Globo, de propósito. Isto para lembrar que um grupo empresarial que tem ótimos profissionais da matéria não devia enxovalhar a disciplina confundindo-a (e a seu público "cativo") com "propaganda enganosa", que é o que se quis dizer na notícia sobre o ditador norte-coreano, a quem o jornal chama de marqueteiro... ora marqueteiro é o conglomerado global.
Não é a primeira vez...
... e não será a última, mas o Offbudsman estará aqui para lembrar, mais uma vez, que eles o fizeram, de novo...
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