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Uma reflexão independente sobre a mídia.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Jornalismo "de notas" é doença que vitima a cidadania.


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O tema é recorrente. E a discussão torna-se aborrecida. Mas é preciso pontuar o mal cada vez que ele aparece.

Jornal O Globo, terça-feira, dia 05/03 (P. 11).

Título da notícia: "Carro furtado é encontrado com policial".

Subtítulo: "Dono seguiu veículo e viu motorista entrar no batalhão da Tijuca".

Lead: "Depois de passar quase dois anos recebendo em casa multas por excesso de velocidade com [sic] o seu carro furtado, o técnico de áudio e vídeo José Florisval, de 37 anos, decidiu ficar de tocaia junto ao radar onde [sic] as infrações eram cometidas e, na manhã de ontem, flagrou seu veículo dirigido por um homem. Ele seguiu o veículo até a Tijuca, onde o motorista parou em frente ao 6o. BPM (Tijuca) e entrou no batalhão. Em nota [começa aqui o nosso 'case'], a PM confirmou que um policial estava com o automóvel e disse que vai investigar o caso".

Resumo da ópera: o carro fora colocado à venda numa loja de carros usados de propriedade de um notório estelionatário, que a fechou sem dar satisfações a ninguém, inclusive à vítima, neste 'case'. O ex-dono recebia multas e quando deu o "flagra" ligou para o 190, telefone de emergência da PMERJ, e segundo a Polícia Civil, "em nota", "o Peugeot de José foi repassado a outra pessoa ' sem que a documentação fosse regularizada'." Detalhe: o dono da loja tem 16 mandados de prisão expedidos contra [sic] ele por estelionato e apropriação indébita.

Agora o 'grand finale':

Em nota, a Polícia Militar confirmou que um PM [sic] estava com o veículo "como forma de compensação por uma venda de carro em mau estado". E a "nota" continua: "É possível que o policial tenha sido igualmente prejudicado", informou [sic] a corporação. Fim da notícia: A Polícia Militar disse que o comando do batalhão vai investigar porque o PM continuava com um carro em nome de outra pessoa, com IPVA atrasado e várias multas.

Nada mais é preciso acrescentar. Talvez apenas uma pequena ajuda deste escriba à investigação do porquê o PM continuava com um carro em nome de outra pessoa...

O PM continuava (talvez por dois anos) com um carro de outra pessoa porque isto é assim mesmo no Brasil e os incomodados que se mudem.
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Gato por lebre? Não. Cavalo por boi.


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A incrível notícia, dada ontem pela Globo News, é mais um exemplo do que se tornou o jornalismo no Brasil. O jornalismo "de assessoria", o jornalismo "de notas".

Um fato grave acontece. O que faz a mídia (dita "quarto poder"...) em "defesa" da verdade factual? Contrata uma análise no Instituto Adolfo Lutz e desmascara a JBS? Manda um repórter "in loco" (longe, né, mas quê fazer?) ? Não, simplesmente publica "notas à imprensa" de seus belos (e gordos) anunciantes, produzidas por suas belas (e caras) assessorias.

Vide a "notícia" como dada ontem na TV: "A Nestlé comunica que seu fornecedor é a JBS. A JBS comunica que utilizou material de outra empresa sua fornecedora no lote despachado para a Nestlé". E pronto! Fim da "notícia". Fim da "reportagem". Nem um comentário. Nem uma análise.

Vamos acompanhar, a partir de hoje, a continuação da "guerra de notas"... e o pobre do leitor, ouvinte, telespectador e internauta engole essa gororoba todo dia, como isto jornalismo fosse, sem saber como se resolve o problema das pessoas que ingeriram cavalo por boi.
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Nossos comerciais, por favor!


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Será que não existe um só católico praticante nas redações da Folha e do Estadão? 

Ambos os veículos publicaram – além da mesma foto de capa - a mesmíssima “análise” sobre o sermão de Bento XVI em sua última missa pública como Papa.

Ambos os jornalões – melhor seria chamá-los, nesse caso, de papelões – publicaram, mais ou menos isso:

“... o Papa criticou os hipócritas que atrapalham a Igreja como instituição que precisa continuar sempre crescendo...”. E deitaram peroração sobre intrigas, traições e ardis nos bastidores da Santa Sé...

Será que ninguém teve a curiosidade de apurar (importante verbo do jargão jornalístico) e pensar um pouco se o tema abordado pelo Papa fora desabafo e clamor por compreensão ao seu ato de renúncia ao poder (como cravaram nas suas manchetes), ou se não seria (como foi, e é, e será, sempre) o mero repetir da ‘palavra’ da Igreja aos fiéis naquele domingo, naquele semana?

Se os batalhões de repórteres enviados a Roma tivessem um mínimo de tino jornalístico (do tipo genuíno – não aquele mal ensinado e nunca aprendido em faculdade) ou um mínimo de cultura; saberiam que as leituras propostas pela Igreja Católica, ao mundo inteiro, nas missas do início do período quaresmal, são típicas e recorrem, sempre, às mesmas passagens bíblicas, como consta dos missais distribuídos, tanto na Basílica de São Pedro, em Roma, quanto na singela paróquia de Morungaba, estado de São Paulo, onde ouvi as mesmas passagens, lidas por membros da comunidade e comentadas, na homilia, pelo pároco local:

“... quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens... quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar em pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens... quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto para que os homens vejam que estão jejuando...” (trecho do Evangelho segundo São Mateus).

O jornalismo é tão mais tosco quanto tosca for a audiência. Utilizar uma interpretação fora de propósito para produzir manchetes em letras garrafais é recurso para vender jornal tão ruim quanto escancarar fotos sanguinárias na primeira página – hipocrisia tão “adotada” pelos jornalões de quinta categoria que no Brasil vêm sendo publicados... por obra e graça, claro, de nossos queridos anunciantes.
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Tem mas acabou!... Passa ontem!... Me erra!

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Lembrando Canclini, duas ocorrências envolvendo "consumidores e cidadãos" no último fim de semana, merecem destaque por aqui:

PRIMEIRA

Uma notícia veiculada pela Band News no sábado à noite, dava conta de um passageiro da companhia aérea GOL, procedente do exterior, com destino a São Paulo e parada forçada, antes, no aeroporto internacional Tom Jobim (pobre maestro, com essa tralha atrelada a seu santo nome), que teve sua bagagem violada e pertences furtados.

Depois de toda a via crucis a que esteve sujeito, entre Infraero, PM e Gol - todos preguiçosos e inapetentes para socorrer o pobre consumidor - o dito cujo fez um desabafo nos microfones, até muito educado, relatando o cansaço de um dia inteiro de jogo-de-empurra entre "autoridades" para algo que, sabe de antemão, de nada adiantará...

Conclusão da matéria, na fala da repórter, mais ou menos assim:

- Procuradas pela nossa reportagem, Infraero e Gol "disseram" que só podem manifestar-se sobre o ocorrido "através" de suas assessorias de imprensa, as quais só "funcionam" de segunda a sexta-feira...

O que não "funciona", nesse caso, são as relações públicas dessas duas campeãs de desrespeito ao cidadão: Infraero e Gol.    

SEGUNDA

Matéria do programa "De Bem", no GNT, domingo à noite, mais ou menos assim:

- "Conheça o Paulo": ele já tem tantos anos e ainda mora com a mãe, Dona Fulana, que apesar de gostar de ter o filhão por perto, quer muito que ele tome um "rumo" na vida...

Fala o "Paulo":

- Estou estudando para um concurso aí, você sabe, às vezes mais, às vezes... não estudo nada. Concurso pra fiscal. Teve ano passado, esse ano não se sabe se vai ter... eu fico nessa - a gente tem que ser feliz...

COM UM FISCAL DESSES... TEMOS UM PAÍS "DAQUELES"

Será que ninguém percebe, na inocente matéria do "De Bem", que é esse tipo de gente, sem eira nem beira, que vai fiscalizar absolutamente TUDO neste país? Receita estadual, as eleições, condições sanitárias, de segurança, eletricidade, qualidade da água, transportes aéreos, e quem sabe, até produção de energia nuclear?

Na próxima vez que você ouvir de alguém que "está fazendo concurso pra qualquer coisa", denuncie, escreva, dê um conselho... Faça qualquer coisa para explicitar esse absurdo tão "nosso" - brasileiro, profissão concurseiro.
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sábado, 12 de janeiro de 2013

Mais um atentado contra a transparência.

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A 'cara' do Brasil, a 'cara' do PMDB, a 'cara' do Rio sob o PMDB, a 'cara' do 'filho de Cesar', Eduardo.

Ditadura é pouco!

Notícia velha, de ontem: li estarrecido, que ao fotografar os problemas no teto do túnel da Grota Funda - orgulho de empreiteiras e empreitadas eleitorais -, a auxiliar de engenharia da própria empresa construtora teve sua câmera tomada das mãos pelo secretário municipal de conservação - que recusou-se a dar explicações à imprensa - e não recebeu a câmera de volta!

A prefeitura do Rio mentiu deliberadamente sobre as razões da interdição do túnel, alegando 'problemas elétricos' e omitindo e existência de uma cratera de mais de 3 metros quadrados no teto de uma de suas galerias.

A empresa atendeu a imprensa e 'disse' que 'as obras foram entregues antes do prazo previsto, a pedido da própria prefeitura, que queria inaugurá-las antes das eleições'.

Notícia fresca, de hoje: após 35 horas, a prefeitura admite a existência de uma fissura na rocha (a culpa agora é de Deus, ou pelo menos do planeta Terra), problemas geológicos 'e não a erro de execução'...

Segundo especialista consultado: ' a formação argilomineral, que pode ser a causa do problema, deveria ter sido prevista antes (sic) da obra'... de, aliás, 500 milhões de reais. É preciso acrescentar mais alguma coisa?

A montanha vai despencar sobre nós, se antes já não tivermos sido tragados pelo também condenado elevado do Joá - obra do tempo do 'nada a declarar' típico desses tempos de Paes, que só disse isso: - não existe preocupação quanto à estabilidade geral do túnel... Mesmo tipo de despreocupação que Lobão e Dilma têm com relação à possibilidade de apagão.

Chama o Cabral... não o do PMDB do Picciani, Eduardo Cunha, Sarney e Renan..., na próxima sessão espírita, e pergunta p'ra ele por que motivo - céus! - não decidiu deixar os índios aqui em paz, sem o tipo de gente 'civilizada' que acabou desembarcando aqui?
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Mais do mesmo: más notícias.

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Boas notícias são tão raras que a rádio CBN criou um programa diário só para elas... de um minuto de duração.

Noticiário de hoje:

1) Natura é autuada em R$ 627 milhões pela Receita Federal, acusada de impostos não pagos. Empresa nega irregularidades e anuncia que vai recorrer.

2) MMX, de Eike Batista, é multada em R$ 3,8 bilhões pela Receita Federal. O Fisco cobra impostos, como Imposto de Renda, que não teriam sido pagos em 2007. A mineradora contesta.

3) Prefeitura do Rio interdita siderúrgica da CSA. Empresa não tem alvará, segundo a Secretaria Especial de Ordem Pública. Multa por não cumprimento é de 570 reais por dia.

Marcada por problemas ambientais e operacionais que já lhe renderam pelo menos duas multas milionárias por parte do governo do Estado do Rio, a Companhia Siderúrgica do Atlântico enfrenta agora um entrave burocrático com a Prefeitura do Rio - por falta de "licença de funcionamento de estabelecimento", ou seja, alvará. Como se trata de medida administrativa, a SEOP informou que enviará fiscais para verificar se a empresa está obedecendo a determinação. Em caso de descumprimento, a CSA terá de pagar multa de R$ 570, 65 por dia.

Inaugurada em 2010, após quatro anos em construção (com parte da mão de obra constituída por "navios" de operários chineses ilegais), a CSA é um empreendimento da alemã ThyssenKrupp, que detém 73,13% das ações (na Alemanha tal modelo de siderúrgica não pode funcionar há décadas, por anacrônico), com a Vale, que tem os 26,87% restantes. A controladora da CSA busca compradores para a siderúrgica (que polui gravemente o seu entorno, agredindo o meio ambiente e a população) - que não apresentou resultados satisfatórios, para dizer o mínimo. A unidade havia sido planejada para atender ao mercado externo, mas foi afetada pela queda da demanda internacional por aço, a partir da crise de 2009.

4) ONU revê normas de proteção ao consumo. Brasil vai apresentar propostas de ressarcimento rápido a clientes e experiência em assuntos financeiros. As novas diretrizes da Organização das Nações Unidas vão proteger mais o consumidor no comércio eletrônico, no ressarcimento de danos e nas questões financeiras. A última atualização foi em 1999. Essas normas do organismo multilateral são uma referência internacional para o movimento dos consumidores. A Consumers International está trabalhando com seus membros para enriquecer as propostas sobre com as diretrizes podem melhor responder às preocupações dos consumidores de hoje.

Para Ricardo Morishita, coordenador do curso de Direito da FGV/RJ, medidas econômicas deveriam ser atreladas a direitos sociais: - as questões concorrenciais não estão dando conta dos problemas gerados pelo mercado e vivenciados pelos consumidores. Não se trata mais de casos isolados. Estamos em um contexto diferente de 20 anos atrás. As leis de concorrência precisam entrar mas questões estruturais da sociedade.

Morishita afirma que as medidas econômicas dos países deveriam ser atreladas a direitos sociais e de consumidores, de forma que as empresas tenham incentivos e também obrigações (especiais): - ao dar um incentivo fiscal, o governo pode atrelá-lo à manutenção do emprego, que é o lado social, e exigir qualidade nos produtos e garantia de atendimento, pois, afinal, é o consumidor que está pagando essa conta.

5) Estações fantasmas do BRT. Recanto das Garças e Dom Bosco, no Recreio, foram construídas sem que houvesse demanda. Como se não bastassem os buracos na pista, o BRT Transoeste, inaugurado pela prefeitura em junho passado como aposta para reorganizar o transporte público no Rio, conta com instalações fantasmas. Passados sete meses do início dos serviços, as estações Dom Bosco e Recanto das Garças, que ficam nos trechos menos urbanizados da Avenida das Américas, jamais funcionaram, embora já estejam (cinematograficamente) equipadas. Na Recanto das Garças, está tudo pronto. As cadeiras já estão instaladas, e as televisões, ligadas (adivinha em qual canal), mas apenas um vigia permanecia ontem no local. Ela fica a menos de 500 metros da estação "Notre Dame".

O custo médio de cada estação é estimado em cerca de R$ 1 milhão. Os gastos até 2016 devem chegar a R$ 1 bilhão com a expansão do Transoeste.

6) Recalls crescem, mas adesão ainda é baixa. No Brasil, em média, 60% dos consumidores atendem aos chamados. Veículos são os mais procurados: - se as empresas fossem responsabilizadas na área cível e criminal, a história seria diferente (Maria Inês Dolcci, coordenadora institucional da Proteste). É a reclamação à empresa - pelo consumidor - e aos Procons, a partida de muitos recalls.

COMENTÁRIOS:

O Brasil de 2013, do PAC, baseia-se em incentivos fiscais à indústria automobilística e à indústria do petróleo. Parece que estamos nos Estados Unidos de cem anos atrás, com Ford e Rockefeller (Standard Oil). Tamanho atraso, centenário, espalma-se no patrimonialismo e no coronelismo presentes na política partidária brasileira. A cidadania brasileira - a parte "antenada" e completamente integrada ao primeiro mundo - não pode se contentar com relações de consumo e de satisfações públicas tão toscas quanto as que povoam nosso dia-a-dia, vide o recorte acima, com apenas 5 "pérolas". Chamem o Ralph Nader!

Será que essas são questões de relações públicas? Este noticiário trouxe fatos que afetam - negativamente - a imagem de algumas organizações. Natura, sempre bem na foto; e CSA, quase sempre mal na foto; e uma das empresas de Eike Batista - solitário "filantropo" carioca citado nas minhas salas de aula - seriam "salvos" por boas relações públicas? Será possível, ou aceitável, administrar bem a imagem "na foto" e, ao mesmo tempo, sonegar impostos e destruir o meio ambiente? bastará uma consultoria estrelada de "gestão de crises" para contornar o problema. Ou tais organizações teriam que "cortar na carne" e resolver seus problemas para que, sem eles, pudessem posar à vontade, de "mais admiradas"? Por isso, cada vez mais, é preciso um perfil de errepê competente em lidar com as questões administrativo-financeiras que NÃO SÃO "releases-de-auto-elogios" e, no nível do board das empresas - como, aliás, acontece no primeiro mundo, influir em decisões de negócios com um olho no quê essa ou aquela decisão podem ter de risco potencial em termos de baixa de goodwill (simpatia, boa vontade) decorrente de futuro noticiário desfavorável.
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

É o fim do mundo! 12 notícias no mês 12 do ano 12 do século XXI (Deu n'O Globo, hoje, 20.12.2012).

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Contrariando todos aqueles que acreditam firmemente que o mundo NÃO vai acabar, está confirmado o fim dos tempos a partir das 24 horas de hoje.

As evidências abundam! E não deixam margem para dúvidas. Senão vejamos o noticiário de hoje:

Pág. 1) "Mensaleiros podem ser presos amanhã". (Conclui-se, pois, que não ficarão presos um dia sequer).

Pág. 6) Sem Orçamento, reajuste a servidores ficará ameaçado. (O recesso chegou e o aumento, não).

Pág. 13) "Em 2011, polícia no país matou 1.316 pessoas". (Sem comentário).

Pág. 16) "Após avaliação, MEC suspende vestibular em 20 cursos do Rio". (Sem comentário).

Pág. 21) "CSN é multada em R$ 11,5 milhões por descumprir TAC". (Faltaram as expressões "pela enésima vez" e "a companhia vai entrar com recurso para não pagar").

Pág. 22) "Arquitetos criticam impactos das cinco torres de Donald Trump na Av. Francisco Bicalho". (Sem comentário).

Pág. 24) "Carnês do IPTU chegarão com reajuste de 5,78%". (Sem comentário).

Pág. 26) "Chuva alaga ruas e deixa carros na Zona Norte submersos". (Faltou a expressão "pela enésima vez").

Pág. 38) "Vão para o lixo 416.700 páginas impressas pela gráfica do Senado". (Eram as "cédulas" para a votação, por suas excelências, de nada menos que 3.060 vetos da Presidência da República a projetos de lei aprovados pelo Congresso Nacional acumulados há 12 anos! Mesmo que a votação seja retomada - o que é improvável devido ao fim do mundo - depois do recesso parlamentar, a mesa diretora do Congresso terá de rodar outras páginas: elas só têm validade para o dia em que são impressas. A marcenaria do Senado fez trabalho extra também para construir dez urnas para receber o calhamaço de votos, com 90 cm de altura por 65 cm de largura).

Pág. 45) "UBS é multado em US$ 1,5 bilhão por manipular taxa Libor". (Libor - London Interbank Offered Rate - é a taxa de juros interbancária que regula contratos em todo o mundo).

Pág. 45) "HSBC aceitou pagar multa de US$ 1,92 bilhão por lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, nos EUA". (Slogan do banco: "No Brasil e no mundo, HSBC").

Pág. 48) "Estrela igual ao Sol é orbitada por um planeta que pode abrigar vida". (Vamos pra lá?).
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