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Uma reflexão independente sobre a mídia.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

VALE A PENA VER, OUVIR E LER!

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É PARTIDÁRIO. MAS É, TAMBÉM, GAÚCHO. Por conta dessa 'soma zero' em termos maniqueístas, vale a pena ouvir desapaixonadamente um posicionamento claro, objetivo e necessário sobre o tema "liberdade de expressão no Brasil", hoje.
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quarta-feira, 3 de abril de 2013

MOVIMENTO "Ética... inteligência... e português na propaganda brasileira".

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ANUNCIANTE, já teve publicada a sua asneira de hoje?

Não sei não, mas a propaganda está precisando de uma ajudinha "de fora" para evitar besteiras e o consequente "mico" dos clientes. Vamos combinar que a "aprovação" que o gerente ou diretor dá ao anúncio (que o coloca nos palcos, junto com o publicitário, recebendo prêmios), não é objeto de muita reflexão. É tudo "pra ontem". Quem vai ser louco de "reprovar" o anúncio prontinho, "filmless", que já está pronto para entrar na rotativa do veículo, para a edição de amanhã? - Só porque ele é péssimo?

- Ah, o povo não sabe ler mesmo...

ISTO ME VEM À MENTE quando deparo-me com duas verdadeiras "pérolas" numa só edição - a de hoje - d'O Globo:

(1) Anunciante: Hipermercados Extra (agora sob nova direção). Anúncio de... 4 páginas!!! Qual o mote? Criação do Shopping Mercado... deve ser a nova direção - francesa - da casa que faz seus publicitários derraparem impunemente no inglês e no português unidos para sempre nessa asneira sem tamanho.

Como picha aquele movimento, "shopping mercado é o cacete".

(2) Anunciante: X3M Sport Business (deve ser uma empresa com controle estrangeiro, que nem o Extra). Qual o mote? Está lá: "a X3M é uma empresa de negócios esportivos que busca a integração das 3 áreas essenciais para o desenvolvimento de um projeto de sucesso - Mídia, Marketing e Management...".

Ai, ai... talvez o controle desta empresa seja francês, ou italiano, sei lá, alguém meio avesso ao idioma do bardo Shakespeare.

Offbudsman adverte: asneira publicitária faz mal à saúde mental... e ao bolso: do anunciante, da agência e dos pobres leitores.
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sexta-feira, 22 de março de 2013

Quando a propaganda é a alma... do engano.

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Como uma onda no mar...

Antes da atual onda de corrupção via "mídia" (explico: com Marcos Valério e Duda Mendonça descobriu-se um ramo de atividade pródigo em alternativas para "recursos não-contabilizados", à la Delúbio - a propaganda). Antes, o segmento predileto das maracutaias era o das empreiteiras.

Na liderança delas todas, a baiana (como Duda), Odebrecht. 

É mais fácil dizer que a criação de um comercial para o partido "Tal" custou 1 milhão de reais - e até colocar isso numa nota fiscal válida - do que relatar-se uma despesa com material e mão-de-obra do mesmo milhão de reais numa ponte... que não existe. Sei que este tipo de corrupção "antiga" ainda grassa, mas - vamos combinar - a "nova" dá menos trabalho. Pelo menos, não precisa ir até a cidade de Onde-o-Judas-perdeu-as-botas para fotografar a ponte que vai de nada a lugar-nenhum...


Agora tem a onda do greenwashing...

E quem está lá, surfando a onda? A mesma Odebrecht, agora com vários nomes diferentes, como no anúncio de página inteira (a de número 7) publicado no dia 21 de março, n'O Globo, sob a égide da - poética - Odebrecht Ambiental... parece piada... lembrando-nos que ontem, 22/03, foi o Dia Mundial da Água, com a sugestiva chamada "Dia Mundial da Água. Para todo mundo é amanhã. Para nós é todo dia". Palmas para os redatores publicitários!

And the winner is...

Devia existir um troféu Cara-de-Pau para os contadores de mentiras deslavadas produzidas pelas organizações e empurradas goela-abaixo da população via mídia - e cara mídia (a mais cara do mundo, em dólar), e, ainda, isenta de impostos!

E não é que hoje, a corporação Odebrecht voltou à carga?

E publicou uma sobre-capa - ou seja - quatro páginas inteiras, no caderno RioShow, do mesmo jornal (escrevo do Rio, terra de um jornal relevante só), provocando furor para mais uma realização - e mais uma marca - desta vez, a da Odebrecht Realizações... (sabe-se lá que realizações são - e foram, em décadas - essas...), agora alcunhadas, conforme o texto do anúncio, de um "presente" para o Rio de Janeiro: montes de torres de vidro e aço no projeto de Porto-Maravilha do "seu" Eduardo - Maia - Paes. Haja criatividade! Publicitária e contábil.

Mais um escárnio. E tome liberdade de expressão e de imprensa! De se exprimir inverdades e de se imprimir sem qualquer regulação... ou pudor.
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quinta-feira, 7 de março de 2013

De ontem. De novo.

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E atenção! Agora a nota "quarteiriza" a fonte... esses caras se aperfeiçoam no erro...

Como se já não bastassem os exemplos que o Observatório da Comunicação Institucional (OCI) tem trazido à tona sobre o jornalismo de assessoria que grassa entre nós, no Brasil, agora surge uma inovação (palavra da moda): a "quarteirização" da fonte.

É mais ou menos assim: a fonte "a" disse "z" - o que muito incomodou "x" e seus pares. Diante do "estrago", "b", assessor de "a", um terceirizado, resolve - e nunca saberemos se de acordo com "a" ou não - "soltar uma nota" (chronica inflationes) desmentindo o ocorrido, mas assinando em seu próprio nome ("b") e não da fonte que representa, "a". Uma "quarteirização" enviesada.

Credibilidade pública (o que é isso?)

Então estamos combinados assim: "b" é bom moço e desdiz o que quem realmente interessa disse. E fica o dito pelo não dito, pois "b" tem credibilidade - e acesso (ou será só acesso?) aos media e consegue publicar a sua versão do fato, sendo "tido como" representante "direto" da fonte. E, então, como num passe de mágica, a realidade muda, e "a", que nunca se arrependeu ou se desculpou, fica "bem na foto" (impressa, falada, televisada, internatizada). E ponto.

Ótimo - e prático! - jornalismo esse, de nota e fim de papo.

O Observatório da Comunicação Institucional adverte: jornalismo de notas faz mal à saúde da cidadania.

Saiba mais:

Fato (como noticiado n'O Globo de 06/03/2013): o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, recomendou que um repórter do jornal "O Estado de S. Paulo" fosse "chafurdar no lixo". Em seguida, o chamou de "palhaço".

A quarteirização das desculpas: Na nota divulgada, o secretário de comunicação do STF pediu desculpas e disse que o comportamento de Barbosa era isolado, pois ele teria um relacionamento positivo com a imprensa como padrão. "Em nome do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, peço desculpas aos profissionais de imprensa pelo episódio ocorrido hoje, quando após longa sessão do Conselho Nacional de Justiça, o presidente, tomado pelo cansaço e por fortes dores, respondeu de forma ríspida à abordagem feita por um repórter. Trata-se de episódio isolado que não condiz com o histórico de relacionamento do ministro com a imprensa", diz [sic} a nota.

O COMENTÁRIO DO OCI - Marcondes Neto

OK, vocês venceram! O ministro é uma seda, sempre foi uma seda e será sempre uma seda. Aconteceu rigorosamente nada e por isso o ministro não tem do quê se desculpar. Só eu, secretário de comunicação, que estou pedindo desculpas, talvez por... existir.
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quarta-feira, 6 de março de 2013

Jornalismo "de notas" é doença que vitima a cidadania.


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O tema é recorrente. E a discussão torna-se aborrecida. Mas é preciso pontuar o mal cada vez que ele aparece.

Jornal O Globo, terça-feira, dia 05/03 (P. 11).

Título da notícia: "Carro furtado é encontrado com policial".

Subtítulo: "Dono seguiu veículo e viu motorista entrar no batalhão da Tijuca".

Lead: "Depois de passar quase dois anos recebendo em casa multas por excesso de velocidade com [sic] o seu carro furtado, o técnico de áudio e vídeo José Florisval, de 37 anos, decidiu ficar de tocaia junto ao radar onde [sic] as infrações eram cometidas e, na manhã de ontem, flagrou seu veículo dirigido por um homem. Ele seguiu o veículo até a Tijuca, onde o motorista parou em frente ao 6o. BPM (Tijuca) e entrou no batalhão. Em nota [começa aqui o nosso 'case'], a PM confirmou que um policial estava com o automóvel e disse que vai investigar o caso".

Resumo da ópera: o carro fora colocado à venda numa loja de carros usados de propriedade de um notório estelionatário, que a fechou sem dar satisfações a ninguém, inclusive à vítima, neste 'case'. O ex-dono recebia multas e quando deu o "flagra" ligou para o 190, telefone de emergência da PMERJ, e segundo a Polícia Civil, "em nota", "o Peugeot de José foi repassado a outra pessoa ' sem que a documentação fosse regularizada'." Detalhe: o dono da loja tem 16 mandados de prisão expedidos contra [sic] ele por estelionato e apropriação indébita.

Agora o 'grand finale':

Em nota, a Polícia Militar confirmou que um PM [sic] estava com o veículo "como forma de compensação por uma venda de carro em mau estado". E a "nota" continua: "É possível que o policial tenha sido igualmente prejudicado", informou [sic] a corporação. Fim da notícia: A Polícia Militar disse que o comando do batalhão vai investigar porque o PM continuava com um carro em nome de outra pessoa, com IPVA atrasado e várias multas.

Nada mais é preciso acrescentar. Talvez apenas uma pequena ajuda deste escriba à investigação do porquê o PM continuava com um carro em nome de outra pessoa...

O PM continuava (talvez por dois anos) com um carro de outra pessoa porque isto é assim mesmo no Brasil e os incomodados que se mudem.
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Gato por lebre? Não. Cavalo por boi.


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A incrível notícia, dada ontem pela Globo News, é mais um exemplo do que se tornou o jornalismo no Brasil. O jornalismo "de assessoria", o jornalismo "de notas".

Um fato grave acontece. O que faz a mídia (dita "quarto poder"...) em "defesa" da verdade factual? Contrata uma análise no Instituto Adolfo Lutz e desmascara a JBS? Manda um repórter "in loco" (longe, né, mas quê fazer?) ? Não, simplesmente publica "notas à imprensa" de seus belos (e gordos) anunciantes, produzidas por suas belas (e caras) assessorias.

Vide a "notícia" como dada ontem na TV: "A Nestlé comunica que seu fornecedor é a JBS. A JBS comunica que utilizou material de outra empresa sua fornecedora no lote despachado para a Nestlé". E pronto! Fim da "notícia". Fim da "reportagem". Nem um comentário. Nem uma análise.

Vamos acompanhar, a partir de hoje, a continuação da "guerra de notas"... e o pobre do leitor, ouvinte, telespectador e internauta engole essa gororoba todo dia, como isto jornalismo fosse, sem saber como se resolve o problema das pessoas que ingeriram cavalo por boi.
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Nossos comerciais, por favor!


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Será que não existe um só católico praticante nas redações da Folha e do Estadão? 

Ambos os veículos publicaram – além da mesma foto de capa - a mesmíssima “análise” sobre o sermão de Bento XVI em sua última missa pública como Papa.

Ambos os jornalões – melhor seria chamá-los, nesse caso, de papelões – publicaram, mais ou menos isso:

“... o Papa criticou os hipócritas que atrapalham a Igreja como instituição que precisa continuar sempre crescendo...”. E deitaram peroração sobre intrigas, traições e ardis nos bastidores da Santa Sé...

Será que ninguém teve a curiosidade de apurar (importante verbo do jargão jornalístico) e pensar um pouco se o tema abordado pelo Papa fora desabafo e clamor por compreensão ao seu ato de renúncia ao poder (como cravaram nas suas manchetes), ou se não seria (como foi, e é, e será, sempre) o mero repetir da ‘palavra’ da Igreja aos fiéis naquele domingo, naquele semana?

Se os batalhões de repórteres enviados a Roma tivessem um mínimo de tino jornalístico (do tipo genuíno – não aquele mal ensinado e nunca aprendido em faculdade) ou um mínimo de cultura; saberiam que as leituras propostas pela Igreja Católica, ao mundo inteiro, nas missas do início do período quaresmal, são típicas e recorrem, sempre, às mesmas passagens bíblicas, como consta dos missais distribuídos, tanto na Basílica de São Pedro, em Roma, quanto na singela paróquia de Morungaba, estado de São Paulo, onde ouvi as mesmas passagens, lidas por membros da comunidade e comentadas, na homilia, pelo pároco local:

“... quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens... quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar em pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens... quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto para que os homens vejam que estão jejuando...” (trecho do Evangelho segundo São Mateus).

O jornalismo é tão mais tosco quanto tosca for a audiência. Utilizar uma interpretação fora de propósito para produzir manchetes em letras garrafais é recurso para vender jornal tão ruim quanto escancarar fotos sanguinárias na primeira página – hipocrisia tão “adotada” pelos jornalões de quinta categoria que no Brasil vêm sendo publicados... por obra e graça, claro, de nossos queridos anunciantes.
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