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Uma reflexão independente sobre a mídia.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Infeliz 2014... ou... o importante é mudar de canal.

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Por circunstâncias, muitas vezes, não saímos de casa no réveillon

Nessas ocasiões é inevitável que alguém queira assistir, na TV, alguma contagem regressiva e imagens dos shows pirotécnicos do Rio, Sampa e Floripa.

O problema é que, passados os 20 minutos da praxe jornalística, não se desliga o eletrodoméstico e este continua sintonizado num tal "show da virada" da líder de audiência. E pobres incautos acabam testemunhando - mesmo tapando olhos e ouvidos, ou indo para a sala ao lado - a "atração". Foi o meu caso, anteontem. E aí, pergunto-me: - o que foi aquilo?

Um auditório onde pessoas - e smartphones -  se acotovelavam, de pé (deve ter sido por horas), comportando-se "amestradamente" a cada hit que se sucedia no palco, em um playback dos mais safados que já vi na vida.

Lixo puro, de artistas "consagrados", outros nem tanto, e ilustres nulidades - numa escalada de vulgaridades (em letra e música), gritos de "mãos p'ro alto" e "sai do chão", com coreografias tão criativas quanto as das chacretes dos anos 1970.

Que em 2014 a população brasileira simplesmente desligue a TV aberta, num ato de "desobediência civil" ao Big Brother que, aliás, ontem, já iniciou sua campanha diária na telinha da Globo.

E a esta somar-se-á, já-já, o desfile dos clips de sambas-enredo dos bicheiros da "liga" do Rio, empurrados garganta a baixo de toda a silente audiência do país, acrescentando "caldo" ao entorpecimento da massa - este já "no ar" há meses -, sobre Copa do Mundo, patrocinada por mui ricos anunciantes no país de muito pobres índices de tudo o que importa; saúde, educação, segurança, justiça e mobilidade.

Não ensinamos bem o Português, não ensinamos bem a Matemática. Estamos importando médicos e engenheiros. Formamos pessoas em nível superior e o salário que se candidatam a receber não passa de 1.500 reais, em todas as áreas - o suficiente para comprar uma TV de tela plana, um hipercelular, um carro a prestação, um "tour" da CVC e continuar "audiente" do lixo global, da mídia e da política nacional.

Comecemos desligando a TV comercial e ligando a educativa.

Em meus tempos morando em São Paulo, eu e vários amigos deixávamos a TV Cultura ligada o dia todo (estou tratando de sábados e domingos), inclusive com filhos pequenos na sala. O canal educativo da Fundação Padre Anchieta foi responsável, entre outras, pelas produções de Rá-Tim-Bum, Cocoricó, Glub-Glub, Vitrine, Metrópolis, Ensaio, Provocações, Telecurso 2o. Grau, Sítio do Pica-pau Amarelo e Roda-Viva. É possível ter-se uma televisão pública de qualidade, apesar de, na última década, a TV Cultura ter sido sucateada (em equipamentos e inteligência) pela administração tucana no estado de São Paulo. Na verdade, não é preciso desligar a TV. Só mudar de canal. A TV Cultura preenche horas muito melhor que Faustão, Silvio, Gugu, Huck, Raul Gil juntos.

Eleições gerais? Esqueçamos... Já estão eleitos os nossos "políticos profissionais" que vendem as concessões públicas de comunicação e alugam preciosos minutos de propaganda "gratuita" de seus partidos - todos fake. Venham mais 4 anos de Dilma, Garotinho e Alckmin... e, assim, em mais pouco tempo, seremos genuinamente um país bárbaro!
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domingo, 29 de dezembro de 2013

sábado, 21 de dezembro de 2013

Quarto... ou Primeiro Poder?

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Repercuto o post de Gloria Melagarejo, no Facebook, a partir de matéria do blog "Desilusões Perdidas - jornalismo com bom humor":

"A velha imprensa ficou perdidinha com os protestos de junho. Chamou manifestante de vândalo, depois elogiou a polícia, depois mudou o discurso total. Vinagre na mão de jornalista virou arma e deu cadeia. Bala de borracha doeu no olho e na alma. Os ninjas mostraram do asfalto o que a Globo tentou mostrar do helicóptero. As redes sociais pautaram a imprensa. E tudo isso reforçou a questão: qual o futuro do jornalismo?

A audiência em queda do Jornal Nacional passou a ser exibida em HD. Bento 16 sacaneou a Ilze [Scamparini], ao renunciar bem nas férias da setorista papal. O El País chegou ao País. A Abril “descontinuou” várias revistas, como a Bravo!. 

Empresas de comunicação “descontinuaram” o emprego de jornalistas em todo o Brasil. Os bravos do Diário do Pará cruzaram os braços por mais dignidade. O pessoal da EBC também parou. Jornalista faz greve, sim.

Pimenta Neves – que medo – passou a andar solto por aí. A Vejinha precisou provar que o Rei do Camarote não era pegadinha do Mallandro. O Fantástico trocou uma Renata por outra. A imprensa começou o ano babando ovo pro Eike e acabou o ano jogando ovo no Eike. 

O Globo, com meio século de atraso, admitiu que o apoio editorial ao golpe de 64 foi um erro. Marcelo Rezende coçou o saco ao vivo no Cidade Alerta. A Poeta, com pressa de ver a novela, se levantou da bancada antes da hora. O [Cesar] Tralli chamou o Cheirão de Chorão, ops!, chamou o Chorão de Cheirão.

E o Lobão virou colunista da Veja, o que torna o debate sobre o futuro do jornalismo ainda mais urgente, porque o bagulho ficou ainda mais foda."

"Pertinentíssima" questão, esta do futuro do Jornalismo. Combina com outra, a do futuro da "civilização" brasileira.

Que país queremos ser? 

Edmar Bacha cunhou "Belíndia" (mix de Bélgica e Índia) e Caco Barcelos mostrou, em seu último "Profissão: Repórter" de 2013, as vísceras abertas da política - e dos políticos - do Brasil. A esta altura indago-me:

"Imprensa, no Brasil - quarto ou primeiro poder?".
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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Concordo com o Chico: #TOMARA_QUE_CAIA!

Pano rápido!

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Alguém já havia prevenido...


... que o governo federal usaria o Mais Médicos, o Minha Casa Minha Vida e o PRONATEC como motes da campanha pela reeleição de Dilma Rousseff.

E hoje, um anúncio de página inteira (preço de veiculação, "cheio", sem descontos: R$ 419.328,00), a de número 5, n'O Globo, propagandeia: "PRONATEC. Cada brasileiro que cresce faz o Brasil maior".

Pergunto: - em quantos veículos mais o MEC está reproduzindo esta ação de publicidade comercial? Por quanto tempo?

Não seria melhor utilizar esta montanha de recursos nos fins deste programa (e noutros), ao invés de nos meios de comunicação?

Com a palavra toda a juventude brasileira que não está assistida por qualquer programa do governo federal.
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domingo, 17 de novembro de 2013

Fui acusado de defender a aplicação da Ley de Medios "para nós", no Brasil...

NUNCA sugeri o modelo da lei argentina para "nós" - o modelo da lei argentina é "deles", com tudo o que a história e a derrocada do último século (em 1913 a Argentina era o quinto país do mundo) acarretam... 

Meu "norte" é a FCC estadunidense. Outro bom caminho é a PCC britânica. 

Registro: sonho com um Brasil livre de PT, PSDB, PMDB (o maior "inimigo", a ser mais urgentemente abatido) e PSB (no qual a cavalgadura vice-presidente considera-se "um intelectual"). 

Leitura obrigatória, no tema; "Impérios da Comunicação", de Tim Wu - um libelo que alerta quanto a monopólios, de qualquer tipo. 

A matéria de capa da penúltima CartaCapital é ótimo material jornalístico investigativo sobre o tema e busca entender como as Organizações Globo, de uma pré-falência em 2001 (até o salvador PROER da mídia, com FHC), passa seus controladores à família mais rica do país (pelo ranking da Forbes). 

Precisamos construir o NOSSO modelo. 

Diverso, respeitando a Constituição Federal no que tange a Cultura e Comunicação (http://www.marketing-e-cultura.com.br/website/pg006/pg06-abcd.html) e concorrencial - como em qualquer dos países (muito) mais civilizados que o Brasil.

FCC - Federal Communications Commission 

PCC - Press Complaints Commission
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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Efeito colateral?

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O texto de Opinião publicado pelo jornal O Globo, hoje, em sua página 31, concomitante à reportagem "Argentina começa processo que obriga Clarín a entregar concessões", antecipa a defensiva na qual estarão todos os grupos integrantes do PGI (Partido da "Grande" Imprensa) no idêntico embate com o qual o Brasil já tem um encontro marcado... desde 1962 - data da atual legislação sobre comunicações no país.

A íntegra:

EFEITO COLATERAL

A decisão da mais alta instância da Justiça argentina de referendar a Lei de Meios atinge o país de forma bastante ampla.

A redução compulsória do tamanho do Grupo Clarín é um ataque à liberdade de expressão e, portanto, à própria democracia.

E, ao sinalizar ao mundo que inexiste segurança jurídica na Argentina - pois concessões podem ser cassadas no Judiciário por pressão do Executivo -, o país fica ainda mais distante dos planos de investidores estrangeiros.

Muito bem dito

Cai por completo a máscara das "organizações", na voz de seu mais emblemático veículo - o house organ impresso O Globo.

Volta o mesmo blá-blá-blá da época das eleições de 2002: o "medo" da insegurança jurídica", o "medo" da "pressão" do Executivo, a "fuga" dos investidores estrangeiros...

E repete-se a mesma lenga-lenga que tenta justificar o imbecilizante lixo imposto ao público por suas empresas de mídia eletrônica - absoluto "entretenimento", escondendo-se atrás do conceito "liberdade de imprensa" quando menos de 10% da programação é dedicada a jornalismo...

Concessões ... na marra

E quem é O Globo para questionar concessões públicas? Se não é um diário sustentado pela receita (entre outras) publicitária do canal (5) de TV (Paulista) sob a qual pairam suspeitas há décadas?

Como cobrar algo da "opinião publica" (*), se trata-se o grupo de uma centena de empresas de responsabilidade limitada sobre as quais  não incide qualquer legislação de transparência?

Como responder à imoral propriedade cruzada? Como responder à homogeneização da cultural e descumprimento dos mínimos reclamos constitucionais de diversidade e regionalidade?

Como responder ao monopólio que abocanha 60% do "bolo" nas verbas publicitárias?

Ato falho

"Efeito colateral" nos games é sinônimo de civis mortos "sem querer" nas eternas guerras de gangues versus "forças de segurança"...

(*) Ensinava - nas próprias páginas de O Globo -, Artur da Távola (ex-senador pelo PSDB do Rio de Janeiro, falecido em 2008): "Não existe opinião pública, mas a opinião de quem publica".
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